Estou preocupadíssimo. Então não é que Cavaco Silva, o Presidente da República que eu não elegi, mas que é também o meu, anda por aí a choramingar que a reforma de cerca de dez mil euros mensais que receberá não chega para as suas despesas e, por isso, terá que recorrer às suas poupanças que conseguiu, com muito sacrifício, presumo eu, fazer durante os seus quarenta e oito anos de casado! Coitado do homem! E como é que eu sobrevivo?! E você?! E você?!
Será que ele joga no casino?! Será que ele tem amantes?!
Bom, se ele estiver mesmo assim tão necessitado, arranja-se aí uma subscriçãozinha para o ajudar entre os seus colegas pensionistas de 300 e 400 euros. Esses, eu tenho a certeza que são solidários.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
sexta-feira, 11 de março de 2011
Cavaco Silva...Chefe de Estado, do Governo ou líder da oposição
Não gosto de Cavaco Silva. Ainda há pouco tempo o escrevi. Apesar de estar já a entrar – se é que não entrei - na chamada provecta idade, sou possuidor de boa memória, de forma que recordo perfeitamente o que foi o consulado de Cavaco, enquanto primeiro-ministro, como me lembro, obviamente, de algumas trapalhadas feitas lá por Belém, no seu primeiro mandato e da sua arrogância e falta de respeito pelos eleitores, reveladas através da negação de esclarecimentos nos debates da última pugna eleitoral. A memória, de facto, impede-me de simpatizar com ele, mas poderia, eventualmente, esperar-se que um dia se corrigisse e me levasse a mudar de opinião. Antes pelo contrário. Cada vez se acentua mais a minha antipatia por aquele que, mesmo não se gostando dele, deveria ser considerado o presidente de todos os portugueses. Na sua tomada de posse, ele revelou à saciedade que não o é.
Cavaco Silva gostaria de ser um Presidente da República que fosse ao mesmo tempo chefe do governo. Gostaria do poder total. Os que têm memória lembram-se do seu autoritarismo. Aliás, aqui não difere muito de José Sócrates. O seu discurso pareceu, ao mesmo tempo, o de alguém que vai ser empossado como primeiro-ministro, pois, como sempre, ele entende que o seu diagnóstico é o acertado e conhece as respostas adequadas e, por outro lado, o discurso de um líder da oposição. Um Presidente da República que se coloca nesta posição facciosa não é, seguramente, o Presidente de todos os portugueses.
Porque não acredito que Cavaco Silva sofra de amnésia – quando lhe convém, talvez faça parecer – lembra-se do seu passado mais longínquo de primeiro-ministro e do mais recente, o seu primeiro mandato como Chefe de Estado. E porque eu tenho essa memória, o seu discurso só me pode levar a concluir que se trata de uma pessoa sem pudor, hipócrita, demagogo, faccioso, cobarde. No fundo, Cavaco Silva é um político, como a maioria dos políticos: em primeiro lugar o seu interesse pessoal. Se assim não fosse, porque razão não disse o que agora disse, antes das eleições?! Por cobardia, porque temia perder votos. E esqueceu - facciosamente? - que a nossa crise se deve, em grande medida, à crise internacional, embora todos o saibamos que não apenas graças a ela?!
O Chefe de Estado quase roçou o apelo à insurreição: esqueceu-se da sua manifesta hostilidade a manifestações, reprimindo-as, patrocinando cargas policiais.
Falou de aposta nos sectores de bens e serviços. Que fez Cavaco Silva, enquanto primeiro-ministro? Com o dinheiro que vinha às “carradas” da então CEE, construiu estradas como o IP3, o IP5 e outras vias, que, de mal construídas, foram, e algumas ainda são, autênticos cemitérios e outras obras que consumiram vultuosas verbas, algumas em parcerias público-privadas, que ele agora contesta, privilegiando o alcatrão e o betão.
Que fez Cavaco Silva, pela Educação, pela Saúde, pela Cultura – recordem o(s) episódio(s) relacionados com Saramago?
Anda a pregar um melhor aproveitamento do mar e dos campos. Quem subsidiou o abate de barcos e o abandono da agricultura? Cavaco, pois claro.
Se a manifestação da “geração à rasca” tiver incidentes graves, em certa medida se poderá imputar alguma responsabilidade às palavras de quem, outrora, não hesitaria em reprimir violentamente.
Por esta análise e pelo muito mais que poderia dizer, entendo que o discurso de Cavaco Silva foi muito pouco sério.
Fico-me com este provérbio persa: “Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar e falar quando é preciso calar-se!”
Cavaco Silva gostaria de ser um Presidente da República que fosse ao mesmo tempo chefe do governo. Gostaria do poder total. Os que têm memória lembram-se do seu autoritarismo. Aliás, aqui não difere muito de José Sócrates. O seu discurso pareceu, ao mesmo tempo, o de alguém que vai ser empossado como primeiro-ministro, pois, como sempre, ele entende que o seu diagnóstico é o acertado e conhece as respostas adequadas e, por outro lado, o discurso de um líder da oposição. Um Presidente da República que se coloca nesta posição facciosa não é, seguramente, o Presidente de todos os portugueses.
Porque não acredito que Cavaco Silva sofra de amnésia – quando lhe convém, talvez faça parecer – lembra-se do seu passado mais longínquo de primeiro-ministro e do mais recente, o seu primeiro mandato como Chefe de Estado. E porque eu tenho essa memória, o seu discurso só me pode levar a concluir que se trata de uma pessoa sem pudor, hipócrita, demagogo, faccioso, cobarde. No fundo, Cavaco Silva é um político, como a maioria dos políticos: em primeiro lugar o seu interesse pessoal. Se assim não fosse, porque razão não disse o que agora disse, antes das eleições?! Por cobardia, porque temia perder votos. E esqueceu - facciosamente? - que a nossa crise se deve, em grande medida, à crise internacional, embora todos o saibamos que não apenas graças a ela?!
O Chefe de Estado quase roçou o apelo à insurreição: esqueceu-se da sua manifesta hostilidade a manifestações, reprimindo-as, patrocinando cargas policiais.
Falou de aposta nos sectores de bens e serviços. Que fez Cavaco Silva, enquanto primeiro-ministro? Com o dinheiro que vinha às “carradas” da então CEE, construiu estradas como o IP3, o IP5 e outras vias, que, de mal construídas, foram, e algumas ainda são, autênticos cemitérios e outras obras que consumiram vultuosas verbas, algumas em parcerias público-privadas, que ele agora contesta, privilegiando o alcatrão e o betão.
Que fez Cavaco Silva, pela Educação, pela Saúde, pela Cultura – recordem o(s) episódio(s) relacionados com Saramago?
Anda a pregar um melhor aproveitamento do mar e dos campos. Quem subsidiou o abate de barcos e o abandono da agricultura? Cavaco, pois claro.
Se a manifestação da “geração à rasca” tiver incidentes graves, em certa medida se poderá imputar alguma responsabilidade às palavras de quem, outrora, não hesitaria em reprimir violentamente.
Por esta análise e pelo muito mais que poderia dizer, entendo que o discurso de Cavaco Silva foi muito pouco sério.
Fico-me com este provérbio persa: “Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar e falar quando é preciso calar-se!”
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Cavaco Silva em derrapagem
Creio que neste momento, milhões de portugueses, pensarão como eu, isto é, que só não digo que “a montanha pariu um rato”, porque a declaração de Cavaco Silva, mais pelo que não disse, mas insinuou, tem reflexos sérios na estabilidade institucional, que o PR deveria ser o primeiro a preservar. Disse, por diversas vezes, que Cavaco Silva não merecera o meu voto, mas que o respeitava como Presidente de todos os portugueses. A partir de agora não me merece o mesmo respeito, tenho dúvidas que ele seja o Presidente de todos os portugueses e congratulo-me por não lhe ter dado o meu voto. Sou mais “meigo” que Carlos Abreu Amorim que afirma “pela primeira vez, tive vergonha de ter votado neste Presidente.”
De uma declaração em que se esperava que ele esclarecesse, deixou mais dúvidas, e, à semelhança do que fez com alguns vetos em que agiu por convicção e não pela constitucionalidade ou não dos diplomas, baseou-se na sua interpretação dos factos.
O homem que “nunca erro e raramente me engano” – tem errado muito na escolha de seus amigos e conselheiros - ou está a revelar-se pouco inteligente ou de extrema má-fé, já que nada esclarece. Será que o que ele pretende é realmente nada esclarecer, porque um esclarecimento cabal lhe faria cair algumas culpas em si próprio e/ou nos seus colaboradores e, simultaneamente, deixar a porta aberta a mais suspeições sobre o PS e o Governo?
Cavaco Silva esqueceu-se ou não acredita que os problemas se iniciaram em Belém – o caso das escutas, a colaboração aceitável ou não de assessores na elaboração do programa eleitoral do PSD, o famoso e-mail, etc.?
Se Cavaco Silva tem dúvidas quanto à veracidade do e-mail, porque não mandou investigar? Um PR não deve agir com as suas informações assentes em dúvidas.O que o dito e-mail revela, ou é verdade ou é mentira. Se é verdade, eu já o disse, o mínimo que eu esperaria do PR era a renúncia. Se é mentira, os seus autores teriam de ser punidos. Que nos disse Cavaco Silva? Nada de concreto.
Quando um chefe de estado, que deve evitar conflitos institucionais, procurar saneá-los, quando existam, ao invés, os instiga, não merece a confiança dos seus súbditos. A minha perdeu-a definitivamente.
De uma declaração em que se esperava que ele esclarecesse, deixou mais dúvidas, e, à semelhança do que fez com alguns vetos em que agiu por convicção e não pela constitucionalidade ou não dos diplomas, baseou-se na sua interpretação dos factos.
O homem que “nunca erro e raramente me engano” – tem errado muito na escolha de seus amigos e conselheiros - ou está a revelar-se pouco inteligente ou de extrema má-fé, já que nada esclarece. Será que o que ele pretende é realmente nada esclarecer, porque um esclarecimento cabal lhe faria cair algumas culpas em si próprio e/ou nos seus colaboradores e, simultaneamente, deixar a porta aberta a mais suspeições sobre o PS e o Governo?
Cavaco Silva esqueceu-se ou não acredita que os problemas se iniciaram em Belém – o caso das escutas, a colaboração aceitável ou não de assessores na elaboração do programa eleitoral do PSD, o famoso e-mail, etc.?
Se Cavaco Silva tem dúvidas quanto à veracidade do e-mail, porque não mandou investigar? Um PR não deve agir com as suas informações assentes em dúvidas.O que o dito e-mail revela, ou é verdade ou é mentira. Se é verdade, eu já o disse, o mínimo que eu esperaria do PR era a renúncia. Se é mentira, os seus autores teriam de ser punidos. Que nos disse Cavaco Silva? Nada de concreto.
Quando um chefe de estado, que deve evitar conflitos institucionais, procurar saneá-los, quando existam, ao invés, os instiga, não merece a confiança dos seus súbditos. A minha perdeu-a definitivamente.
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