Por força de algumas funções que desempenhei, nomeadamente no cumprimento de serviço militar em tempo de guerra colonial e como bombeiro, passei por muitas situações daquelas, que mesmo os mais fortes têm dificuldade em suportar sem que isso lhes provoque algumas náuseas. Pessoas gravemente feridas, quase desfeitas, mortas ou a agonizar, carbonizadas, etc., não proporcionam um espectáculo que não mexa com a sensibilidade ou o estômago do mais frio e duro dos humanos. Com maior ou menor dificuldade sempre ultrapassei as mais diversas situações com que me deparei sem sucumbir. Ultrapassei sempre as dificuldades com a enorme tristeza que me provocava a infelicidade, a tragédia que batera à porta de gente como eu, mas terminando sempre com o sentimento reconfortante do dever cumprido.
Acontece agora, como tem acontecido noutros períodos eleitorais, que o que vejo, ao vivo, ou através dos media me provoca muito mais náuseas do que todas as situações referidas que já vivi. Assistir a este espectáculo degradante de ver, por feiras e mercados, pelas ruas de aldeias, vilas e cidades, indivíduos normalmente sisudos, não reconhecendo mais ninguém do que aqueles que habitualmente se sentam à mesma mesa e comem do mesmo tacho, aos beijinhos e abraços, às palmadinhas nas costas, a pegar na enxada sem qualquer jeito, a apanhar cerejas e bonés, numa simpatia de partir corações, a dizer uma coisa num local e o seu inverso no outro, conforme os interesses daqueles que ainda têm pachorra para os ouvir, enoja-me, dá-me vontade de vomitar. Se nós não os conhecêssemos, ainda lhes poderíamos dar o benefício da dúvida. Mas não, conhecemo-los de ginjeira.
Quantos reclamam hoje por coisas que ontem tiveram oportunidade de fazer e não fizeram.
Não me apetecia falar em nenhum líder em particular, mas não posso deixar de me referir a Passos Coelho. Mesmo que não estivesse totalmente de acordo com os que reconhecem nele falta de experiência para liderar um Partido que seja da envergadura do PSD, muito menos o governo, a sua caminhada, desde a queda do governo que ele patrocinou, e com muito mais veemência, na pré-campanha e campanha eleitoral, veio desfazer qualquer dúvida. Ele, de facto, não está minimamente preparado para liderar um governo tais são os ziguezagues que tem feito, as mudanças de opinião e a falta de pulso, que não tem nada a ver com autoritarismo.
“A política é o local de trabalho de certos cérebros medíocres”.
Só ouvindo, posso tomar consciência do que será melhor ou pior para o meu país, por isso, apesar do nojo, apesar do que isso me custa, vou ouvindo, se bem que estou consciente que nenhum governo que não aposte verdadeiramente na restauração dos valores que não são de ontem nem de hoje, mas de sempre, que não aposte numa verdadeira educação cívica, num autêntico exercício da cidadania, numa justiça oportuna e séria que trate os poderosos e os frágeis de igual forma, que não aposte numa verdadeira democracia e num correcto conceito de liberdade, conseguirá levar este país a bom porto.
Tenho a mais séria convicção de que, infelizmente, vou continuar a ter náuseas.
“Em política está-se em contacto com a sujidade e é preciso muita higiene para não se cheirar mal”.
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Respigo da campanha das autárquicas
Tenho tido oportunidade de conversar com eleitores dos diversos quadrantes, sobre os vários candidatos autárquicos que se nos apresentam como conhecedores de todas as maleitas que as nossas terras enfrentam e possuidores de disponibilidade, vontade e talento para as curar e o que constato é que esses mesmos eleitores não reconhecem, a muitos desses candidatos, outras competências, outros méritos que não sejam os de “coitado, é boa pessoa”. Sendo que a sua análise está correcta, dentro de dias teremos em vários órgãos autárquicos “boas pessoas, coitados”.
Bom, se calhar, do mal, o menos, porque também temos candidatos elegíveis com algum talento, alguma competência, mas que de bons pouco têm. Andam vestidos com uma carapaça. Até um dia. A quanto obriga a vontade de alcançar algum poder, ignorando as palavras de Jean de la Bruyère: “ Os cargos de responsabilidade tornam mais eminentes os homens eminentes e os que são vis ficam ainda mais vis e mesquinhos”.
Para além de muito mais que nos mostrou o ambiente de campanha, não obstante não me ter dado a observá-lo profundamente, porque, por um lado, estava bem ciente de quem merecia, mais que outros, o meu voto e, por outro, porque sou avesso a “carnavais”, sobretudo fora de tempo e de “palhaçadas” fora do circo, deu para perceber que a HIPOCRISIA continua bem viva e a medrar.
Ah! Outra coisa que se constata: para comer até os apoiantes (?!) de listas adversárias aparecem. Será sinal de fome, falta de vergonha ou excesso de apetite?
Só mais uma coisinha: nesta democracia, que já é trintona, seria legítimo esperar-se que o culto da cidadania estivesse a um nível mais elevado. Digo isto, porque integrar uma mesa eleitoral, para além de se cumprir um dever, deveria orgulhar quem a tal tarefa é chamado. Mas parece que não. Desde que se institui que tal missão deve ser paga, há quem se digladie por um “lugar à mesa”. Apenas pelo dinheiro, porque, de resto, aquilo é uma “seca”, como alguns afirmam. Parece que, neste país, cada vez são menos os que se atrevem “a dar ponto sem nó”. Assim sendo, haveremos de continuar “com muita parra e pouca uva”, mas sem que isso seja razão suficiente para que se perca a esperança de que um dia chegue, não o D. Sebastião, mas alguém que, não pelo que afirma, mas pela sua prática de vida, demonstre que de facto tem TALENTO e AMOR à terra e às suas gentes. Quando os partidos, os movimentos e outras instituições se lembrarem que há vida para além dos períodos eleitorais, que há pessoas que querem participar, aprender, ser ouvidas, talvez comecem a aparecer as pessoas certas para os lugares certos. A “rosa” deixará de ser tão “alaranjada”, a “laranja” deixará de ser tão “rosada” “azulada” ou mesmo “avermelhada”.
Bom, se calhar, do mal, o menos, porque também temos candidatos elegíveis com algum talento, alguma competência, mas que de bons pouco têm. Andam vestidos com uma carapaça. Até um dia. A quanto obriga a vontade de alcançar algum poder, ignorando as palavras de Jean de la Bruyère: “ Os cargos de responsabilidade tornam mais eminentes os homens eminentes e os que são vis ficam ainda mais vis e mesquinhos”.
Para além de muito mais que nos mostrou o ambiente de campanha, não obstante não me ter dado a observá-lo profundamente, porque, por um lado, estava bem ciente de quem merecia, mais que outros, o meu voto e, por outro, porque sou avesso a “carnavais”, sobretudo fora de tempo e de “palhaçadas” fora do circo, deu para perceber que a HIPOCRISIA continua bem viva e a medrar.
Ah! Outra coisa que se constata: para comer até os apoiantes (?!) de listas adversárias aparecem. Será sinal de fome, falta de vergonha ou excesso de apetite?
Só mais uma coisinha: nesta democracia, que já é trintona, seria legítimo esperar-se que o culto da cidadania estivesse a um nível mais elevado. Digo isto, porque integrar uma mesa eleitoral, para além de se cumprir um dever, deveria orgulhar quem a tal tarefa é chamado. Mas parece que não. Desde que se institui que tal missão deve ser paga, há quem se digladie por um “lugar à mesa”. Apenas pelo dinheiro, porque, de resto, aquilo é uma “seca”, como alguns afirmam. Parece que, neste país, cada vez são menos os que se atrevem “a dar ponto sem nó”. Assim sendo, haveremos de continuar “com muita parra e pouca uva”, mas sem que isso seja razão suficiente para que se perca a esperança de que um dia chegue, não o D. Sebastião, mas alguém que, não pelo que afirma, mas pela sua prática de vida, demonstre que de facto tem TALENTO e AMOR à terra e às suas gentes. Quando os partidos, os movimentos e outras instituições se lembrarem que há vida para além dos períodos eleitorais, que há pessoas que querem participar, aprender, ser ouvidas, talvez comecem a aparecer as pessoas certas para os lugares certos. A “rosa” deixará de ser tão “alaranjada”, a “laranja” deixará de ser tão “rosada” “azulada” ou mesmo “avermelhada”.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Campanha eleitoral autárquica
“É melhor que fale por nós a nossa vida que as nossas palavras” – Mohandas Ghandhi.
Isto vem a propósito de milhares e milhares de palavras que andam por aí espalhadas ao vento, em propagandas e mais propagandas eleitorais de candidatos, cujo perfil, cujo modelo de vida contradiz perfeitamente o que o espólio panfletário revela. Muitos nem sequer têm a mínima capacidade para serem autores dos textos que assinam. Provavelmente, alguns nem sequer os saberão interpretar devidamente. Para se chegar a esta conclusão nem sequer é necessário esmiuçar – uma palavra que “Os Gatos Fedorentos” trouxeram para a ribalta – as suas vidas. Já agora, deixe-me dizer-lhe que a entrada dos “Gatos Fedorentos” na campanha eleitoral, muito embora não mereça o meu apreço, me parece que tem algum sentido. Exactamente, porque muitas vezes a campanha nos parece uma paródia, fede e arranha.
Hoje, muitos dos candidatos não têm qualquer ideologia, nem tão pouco se podem considerar de independentes, senão não andavam a cirandar da esquerda para a direita e vice-versa, em busca do melhor encaixe para seu interesse pessoal. À falta da ideologia e da independência, socorrem-se de lugares comuns como seja o amor à terra e suas gentes. Só por isso é que se candidatam. Oh! Se nós não conhecêssemos muitos deles?!
Os que querem apenas andar na crista da onda, por vaidade, em busca de “tacho” ou “penacho”, não me merecem mais que o desprezo. Há-os, todavia, que, sacrificando a família, até interesses económicos, o conforto, o lazer, encaram a função política como um dever, uma entrega desinteressada ao serviço da comunidade. Estes merecem o meu reconhecimento, o meu aplauso. São estes e só estes que ainda existem, embora se contem sem grande dificuldade, que me levam às urnas.
Avaliando sem necessitar de ser minucioso e por isso sem grande esforço o elevado número de pessoas aparentemente comprometidos com as diversas listas, chego a esta conclusão:
De repente ficam todos impregnados de uma competência, de um talento que jamais alguém ousara reconhecer;
De repente ficaram todos impregnados de um amor à terra e aos seus conterrâneos, quando a alguns o que se lhes conhece é a inveja, a ingratidão, a maledicência, os prejuízos causados a esses mesmos conterrâneos;
De repente todos se impregnaram de uma disponibilidade que nunca se lhes reconhecera para outras tarefas, ainda que minúsculas, em prol do desenvolvimento das suas terras e da melhoria de condições, em diversos domínios, dos seus conterrâneos. Ah!, por falar em disponibilidade, é interessante constatar o atrevimento de alguns, que por apenas terem disponibilizado o nome para integrar órgãos de algumas instituições, sem que se lhes seja reconhecido qualquer feito minimamente importante, acham que isso é muito relevante. Bom, já há longos anos que eu suspeito que muitos só querem, alguns só quiseram, integrar órgãos sociais de instituições, quando pensaram em arranjar um lugarzinho no “céu”, perdão, na política.
Enfim, quem se quiser deixar enganar por palavras que às vezes os próprios a quem são atribuídas não compreendem e por outdoors mais ou menos cativantes, apelativos, que deixe. Quem não se quiser deixar enganar, que compare as afirmações com a prática de vida de cada um. Seja como for, não deixe de votar, porque nos prós e contras, mesmo com pecados – quem os não tem – sempre há-de encontrar uns que lhe inspirem mais confiança do que outros.
Isto vem a propósito de milhares e milhares de palavras que andam por aí espalhadas ao vento, em propagandas e mais propagandas eleitorais de candidatos, cujo perfil, cujo modelo de vida contradiz perfeitamente o que o espólio panfletário revela. Muitos nem sequer têm a mínima capacidade para serem autores dos textos que assinam. Provavelmente, alguns nem sequer os saberão interpretar devidamente. Para se chegar a esta conclusão nem sequer é necessário esmiuçar – uma palavra que “Os Gatos Fedorentos” trouxeram para a ribalta – as suas vidas. Já agora, deixe-me dizer-lhe que a entrada dos “Gatos Fedorentos” na campanha eleitoral, muito embora não mereça o meu apreço, me parece que tem algum sentido. Exactamente, porque muitas vezes a campanha nos parece uma paródia, fede e arranha.
Hoje, muitos dos candidatos não têm qualquer ideologia, nem tão pouco se podem considerar de independentes, senão não andavam a cirandar da esquerda para a direita e vice-versa, em busca do melhor encaixe para seu interesse pessoal. À falta da ideologia e da independência, socorrem-se de lugares comuns como seja o amor à terra e suas gentes. Só por isso é que se candidatam. Oh! Se nós não conhecêssemos muitos deles?!
Os que querem apenas andar na crista da onda, por vaidade, em busca de “tacho” ou “penacho”, não me merecem mais que o desprezo. Há-os, todavia, que, sacrificando a família, até interesses económicos, o conforto, o lazer, encaram a função política como um dever, uma entrega desinteressada ao serviço da comunidade. Estes merecem o meu reconhecimento, o meu aplauso. São estes e só estes que ainda existem, embora se contem sem grande dificuldade, que me levam às urnas.
Avaliando sem necessitar de ser minucioso e por isso sem grande esforço o elevado número de pessoas aparentemente comprometidos com as diversas listas, chego a esta conclusão:
De repente ficam todos impregnados de uma competência, de um talento que jamais alguém ousara reconhecer;
De repente ficaram todos impregnados de um amor à terra e aos seus conterrâneos, quando a alguns o que se lhes conhece é a inveja, a ingratidão, a maledicência, os prejuízos causados a esses mesmos conterrâneos;
De repente todos se impregnaram de uma disponibilidade que nunca se lhes reconhecera para outras tarefas, ainda que minúsculas, em prol do desenvolvimento das suas terras e da melhoria de condições, em diversos domínios, dos seus conterrâneos. Ah!, por falar em disponibilidade, é interessante constatar o atrevimento de alguns, que por apenas terem disponibilizado o nome para integrar órgãos de algumas instituições, sem que se lhes seja reconhecido qualquer feito minimamente importante, acham que isso é muito relevante. Bom, já há longos anos que eu suspeito que muitos só querem, alguns só quiseram, integrar órgãos sociais de instituições, quando pensaram em arranjar um lugarzinho no “céu”, perdão, na política.
Enfim, quem se quiser deixar enganar por palavras que às vezes os próprios a quem são atribuídas não compreendem e por outdoors mais ou menos cativantes, apelativos, que deixe. Quem não se quiser deixar enganar, que compare as afirmações com a prática de vida de cada um. Seja como for, não deixe de votar, porque nos prós e contras, mesmo com pecados – quem os não tem – sempre há-de encontrar uns que lhe inspirem mais confiança do que outros.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Campanha eleitoral - mais casos do que ideias
Esta campanha que vem decorrendo, para as legislativas, tem sido feita mais de casos do que de ideias e propostas, com excepção das demagógicas. Há um partido que, no que respeita à exploração de casos, e, sem o mínimo de ética, de pudor, se destaca de todos os outros, transformando meras suspeitas em verdades absolutas, num comportamento que só pode ser apelidado de execrável. Refiro-me ao PSD. De facto, tal partido já demonstrou à saciedade que não tem ideias, nem propostas, alicerçando, por isso, a sua campanha na exploração dos referidos casos e nos ataques pessoais, e, ainda, no mais baixo populismo, ao referir asfixia democrática, medo, comparando Sócrates a Chávez. Se o povo português estivesse asfixiado democraticamente, se tivesse medo, provavelmente não se diriam nem escreveriam tantas asneiras, não se atentaria tão impunemente contra a dignidade dos outros, não se fariam as afirmações injuriosas que se fazem, não se realizariam tantas manifestações em total liberdade, mas algumas delas, quer pelas razões, quer pela oportunidade, absolutamente injustificáveis.
Debrucemo-nos no caso mais recente. Recente, porque, embora reportando-se a uma situação de há mais de um ano, ou seja, a eventualidade de o Presidente da República andar a ser vigiado pelo Governo, só agora apareceu, estrategicamente na comunicação social e não foi, com certeza, por obra e graça do dito Governo. Ora, sem quaisquer provas de que tal espionagem seja verdadeira, o PSD, dono de todas as verdades, segundo quer fazer parecer, dá como certo que tal facto é verdadeiro, sem que alguém, a começar pelo próprio Presidente da República, tenha a certeza de nada. Para o PSD, caluniar, deturpar, desinformar, é tão natural como beber um copo de água. Mas já agora, deixe-me fazer este raciocínio: relativamente ao e-mail publicado na comunicação social, em que um jornalista pede a outro jornalista que forje uma determinada notícia a pedido de um assessor do Presidente da República, por sugestão deste, ainda ninguém negou que isso tivesse sido forjado. Assessor, de nome Fernando Lima, jornalista, que enquanto director do Diário de Notícias terá impedido a jornalista Fernanda Câncio de publicar uma crónica negativa sobre Manuela Ferreira Leite. O homem tem currículo. Quero afirmar com toda a veemência, o que já fiz por diversas vezes, que não obstante Cavaco Silva não ter merecido o meu voto, ele é também o meu Presidente da República e respeito-o como tal e nem quero acreditar que ele se prestaria a tal papel. De qualquer forma, porque é que os elementos do PSD que se apressaram a condenar o governo, não têm manifestado a mesma postura em relação a Cavaco Silva?! Meu amigo, se vier a provar que o governo mandou espiar o Presidente da República é muito grave e este deveria tomar as medidas adequadas, em tempo útil, o que não me parece que possa acontecer. Todavia, se provar que o Presidente, ao invés de tomar as medidas adequadas para o efeito, se algum dia pressentiu que andava a ser vigiado, fez aquilo que o referido e-mail reporta, o seu crime não é menos grave e só tem uma saída digna: a renúncia. Portanto, é lamentável que o PSD só refira um aspecto, só veja num sentido. Não somos ingénuos ao ponto de pedir absoluta isenção aos partidos, mas que pelo menos tenham uma migalha de dignidade, de honestidade intelectual.
Quem não fica nada bem nesta fotografia é uma certa classe de jornalistas, que instrumentaliza, que se deixa instrumentalizar, isto é, está disponível, como diria o povo da minha terra, está de pernas abertas para fazer os mais asquerosos, mais deploráveis fretes, que desce ao nível mais baixo de alguns políticos. Nomeadamente, o director do Público que a uma hora lança uma grave afirmação de que o jornal estava sob escuta para mais tarde reconhecer que não houve nada de anormal no jornal. Não é este jornalismo que forja, que manipula, que mente, que Portugal precisa.
Deixe-me, no entanto, continuar a reflectir no assunto, porque ele se me afigura demasiado importante para que não façamos uma reflexão muito séria e aprofundada, ficando o jornalismo para outra ocasião. Creio que nada se vai decidir antes das eleições, que se realizarão daqui a quatro dias. Seja qual for o partido vencedor, ainda que seja o Partido Socialista, teremos um novo governo que, em termos legais, nada terá a ver com o actual. Imagine agora que se vem a comprovar que o governo pecou e Cavaco Silva está isento de qualquer culpa. Vai punir o próximo governo?! Embora não tenha formação jurídica, não me parece que o possa fazer, daí que a única resposta possível é “não pode”.
Imagine agora outra situação. O governo errou e se tudo o que o e-mail diz se confirmar Cavaco Silva também errou. Que legitimidade teria este para tomar qualquer atitude em relação àquele?
Repare na última situação. Vem a comprovar-se que apenas Cavaco Silva errou. Que fazer?! Pense em tudo isso.
Recordo a frase de Abraham Lincoln: “Há momentos na vida de qualquer político em que o melhor que pode fazer é não descerrar os lábios”.
Já agora, pelo andar da carruagem, e também não é novo o que vou dizer, Cavaco Silva ou tem muito azar com a escolha dos amigos, conselheiros, assessores, etc., ou é demasiado ingénuo, atributo que ele refuta, mas que, a existir, não é grande referência para um Presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa veio à liça, com toda a legitimidade, fazer campanha pelo seu partido. È a obrigação de todos os militantes. Não concordando com ele diversas vezes, é um comentador que eu aprecio e que só não vejo e não oiço quando me é impossível. Esse sabe o que é um certo atentado à liberdade de expressão, no tempo em que o seu partido era governo. Bom, mas não é por aí que eu quero ir. Percebo que Marcelo Rebelo de Sousa pense que um qualquer governo minoritário não dure mais de dois anos. O que não percebo é que só não durará mais de dois anos se não for do PSD. Ora essa! Porque raio de diabo é que se o governo fosse do PSD duraria mais de dois anos? Será que, não sendo o Professor Marcelo da área das matemáticas, ande com dificuldade em fazer operações?! Acho que, neste momento, ninguém ousará contestar que, sejam quais forem os resultados eleitorais, a maioria será de esquerda. Não parece que PSD e CDS consigam maioria. Portanto, mesmo tendo em conta as dificuldades de entendimento entre PS, Bloco de Esquerda e CDU, eles em maioria, dificilmente deixariam cair um governo minoritário PS, para a eventualidade de o entregarem nas mão do PSD. “Dente lúpus cornu taurus petit” – o lobo ataca com os dentes, o touro com os chifres, isto é, cada um defende-se como pode.
Faça você a escolha que fizer, não deixe de ir cumprir o seu dever, no próximo domingo. Não deixe a responsabilidade de escolher quem quer na Assembleia da República e para nos governar, nas mãos dos outros.
Debrucemo-nos no caso mais recente. Recente, porque, embora reportando-se a uma situação de há mais de um ano, ou seja, a eventualidade de o Presidente da República andar a ser vigiado pelo Governo, só agora apareceu, estrategicamente na comunicação social e não foi, com certeza, por obra e graça do dito Governo. Ora, sem quaisquer provas de que tal espionagem seja verdadeira, o PSD, dono de todas as verdades, segundo quer fazer parecer, dá como certo que tal facto é verdadeiro, sem que alguém, a começar pelo próprio Presidente da República, tenha a certeza de nada. Para o PSD, caluniar, deturpar, desinformar, é tão natural como beber um copo de água. Mas já agora, deixe-me fazer este raciocínio: relativamente ao e-mail publicado na comunicação social, em que um jornalista pede a outro jornalista que forje uma determinada notícia a pedido de um assessor do Presidente da República, por sugestão deste, ainda ninguém negou que isso tivesse sido forjado. Assessor, de nome Fernando Lima, jornalista, que enquanto director do Diário de Notícias terá impedido a jornalista Fernanda Câncio de publicar uma crónica negativa sobre Manuela Ferreira Leite. O homem tem currículo. Quero afirmar com toda a veemência, o que já fiz por diversas vezes, que não obstante Cavaco Silva não ter merecido o meu voto, ele é também o meu Presidente da República e respeito-o como tal e nem quero acreditar que ele se prestaria a tal papel. De qualquer forma, porque é que os elementos do PSD que se apressaram a condenar o governo, não têm manifestado a mesma postura em relação a Cavaco Silva?! Meu amigo, se vier a provar que o governo mandou espiar o Presidente da República é muito grave e este deveria tomar as medidas adequadas, em tempo útil, o que não me parece que possa acontecer. Todavia, se provar que o Presidente, ao invés de tomar as medidas adequadas para o efeito, se algum dia pressentiu que andava a ser vigiado, fez aquilo que o referido e-mail reporta, o seu crime não é menos grave e só tem uma saída digna: a renúncia. Portanto, é lamentável que o PSD só refira um aspecto, só veja num sentido. Não somos ingénuos ao ponto de pedir absoluta isenção aos partidos, mas que pelo menos tenham uma migalha de dignidade, de honestidade intelectual.
Quem não fica nada bem nesta fotografia é uma certa classe de jornalistas, que instrumentaliza, que se deixa instrumentalizar, isto é, está disponível, como diria o povo da minha terra, está de pernas abertas para fazer os mais asquerosos, mais deploráveis fretes, que desce ao nível mais baixo de alguns políticos. Nomeadamente, o director do Público que a uma hora lança uma grave afirmação de que o jornal estava sob escuta para mais tarde reconhecer que não houve nada de anormal no jornal. Não é este jornalismo que forja, que manipula, que mente, que Portugal precisa.
Deixe-me, no entanto, continuar a reflectir no assunto, porque ele se me afigura demasiado importante para que não façamos uma reflexão muito séria e aprofundada, ficando o jornalismo para outra ocasião. Creio que nada se vai decidir antes das eleições, que se realizarão daqui a quatro dias. Seja qual for o partido vencedor, ainda que seja o Partido Socialista, teremos um novo governo que, em termos legais, nada terá a ver com o actual. Imagine agora que se vem a comprovar que o governo pecou e Cavaco Silva está isento de qualquer culpa. Vai punir o próximo governo?! Embora não tenha formação jurídica, não me parece que o possa fazer, daí que a única resposta possível é “não pode”.
Imagine agora outra situação. O governo errou e se tudo o que o e-mail diz se confirmar Cavaco Silva também errou. Que legitimidade teria este para tomar qualquer atitude em relação àquele?
Repare na última situação. Vem a comprovar-se que apenas Cavaco Silva errou. Que fazer?! Pense em tudo isso.
Recordo a frase de Abraham Lincoln: “Há momentos na vida de qualquer político em que o melhor que pode fazer é não descerrar os lábios”.
Já agora, pelo andar da carruagem, e também não é novo o que vou dizer, Cavaco Silva ou tem muito azar com a escolha dos amigos, conselheiros, assessores, etc., ou é demasiado ingénuo, atributo que ele refuta, mas que, a existir, não é grande referência para um Presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa veio à liça, com toda a legitimidade, fazer campanha pelo seu partido. È a obrigação de todos os militantes. Não concordando com ele diversas vezes, é um comentador que eu aprecio e que só não vejo e não oiço quando me é impossível. Esse sabe o que é um certo atentado à liberdade de expressão, no tempo em que o seu partido era governo. Bom, mas não é por aí que eu quero ir. Percebo que Marcelo Rebelo de Sousa pense que um qualquer governo minoritário não dure mais de dois anos. O que não percebo é que só não durará mais de dois anos se não for do PSD. Ora essa! Porque raio de diabo é que se o governo fosse do PSD duraria mais de dois anos? Será que, não sendo o Professor Marcelo da área das matemáticas, ande com dificuldade em fazer operações?! Acho que, neste momento, ninguém ousará contestar que, sejam quais forem os resultados eleitorais, a maioria será de esquerda. Não parece que PSD e CDS consigam maioria. Portanto, mesmo tendo em conta as dificuldades de entendimento entre PS, Bloco de Esquerda e CDU, eles em maioria, dificilmente deixariam cair um governo minoritário PS, para a eventualidade de o entregarem nas mão do PSD. “Dente lúpus cornu taurus petit” – o lobo ataca com os dentes, o touro com os chifres, isto é, cada um defende-se como pode.
Faça você a escolha que fizer, não deixe de ir cumprir o seu dever, no próximo domingo. Não deixe a responsabilidade de escolher quem quer na Assembleia da República e para nos governar, nas mãos dos outros.
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