Precisava que alguém me explicasse, assim de uma forma como se eu fosse muito “burro” – se calhar sou – algumas coisas sobre o comportamento dos nossos políticos com mais responsabilidades, mas no meu entender, muito irresponsáveis.
Porque é que temos de suportar um Presidente da República com discursos de baixo nível em termos de conteúdo, inoportunos, onde sobressai a covardia, a arrogância, o rancor, o ódio?! Será que os portugueses merecem realmente estar a ser triturados por governantes insensíveis, injustos, discriminadores e, simultaneamente, terem o pior Chefe de Estado da democracia?! Cavaco Silva – estará a ficar senil? – é um petulante responsável pelas primeiras medidas, enquanto primeiro-ministro, que nos conduziram até esta situação miserável em que nos encontramos. Infelizmente, o pior ainda não terá chegado. Como é que ele, primeiro responsável pelo abandono da agricultura, pela destruição dos barcos de pesca e de várias indústrias, não cora de vergonha ao afirmar, agora, que temos de nos virar para os campos, para o mar? É de uma enorme falta de pudor.
Deixemo-lo a tentar equilibrar os tostões da sua magra reforma. Coitado do homem, é tão perdulário, ou benemérito, se preferir, que até prescindiu do salário de Presidente da República, em troca das “míseras” pensões de reforma. Cavaco não necessita dos críticos para o fragilizarem, ele próprio, constantemente, se auto-fragiliza.
Nem Coelho, nem Relvas, nem a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque me conseguiram fazer perceber porque é que, dizem eles, não há excepções nos cortes salariais, isto é, todos vão sofrê-los, e os funcionários da TAP, da Caixa Geral de Depósitos – outros se seguirão – ficaram todos muito contentes com a decisão de entregar à administração das referidas empresas a decisão de redução no salário ou noutros elementos de remuneração atribuídos através de contratos de empresa. Você acredita que vão receber mesmo menos e estão tão felizes?! Há alguém que me explique?
Parece-me que será legítimo que os dividendos das acções correspondentes a 2011 devem ser pagos a quem for seu detentor em 31 de Dezembro desse ano. Ou então quem as vender terá de ter esse factor em conta no negócio a efectuar, a menos que seja parvo. Muito mais cuidado terá que ter quem gere dinheiro dos contribuintes. Se já me parece mal que o Governo esteja a vender acções apenas a pensar na colheita de divisas no imediato, sabendo que nunca mais irá receber dividendos, muito mais grave é descartar dividendos que são dos contribuintes, deixando-os ir para árabes e chineses, numa altura em que esmaga esses mesmos contribuintes com a mais severa austeridade de que há memória. Alguém me explica a lógica deste Governo?
Quem me explica ainda, como é possível a Lusoponte ter recebido as portagens da Ponte 25 de Abril, em Agosto passado, e receber uns milhões como se de facto os portugueses não as tivessem pago? Vão descontá-los depois?! Pois, o Governo está com tal saúde financeira que até pode dar-se ao luxo de entregar dinheiro adiantado à Lusoponte e perder o crédito, por exemplo, na indústria farmacêutica!
Transparência era uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de Passos Coelho e do seu PSD. Passados uns meses, o que menos se vê é transparência, mas muita incompetência, muita arrogância, muita insensibilidade e até atentados à democracia por ministros anedóticos, patéticos.
Passou-se mais um 11 de Março. Porque será que os políticos, tanto de esquerda como de direita, estiveram tão caladinhos?!
Por favor, expliquem-me tudo muito bem explicadinho.
segunda-feira, 12 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
Cristiano Ronaldo versus Lionel Messi
Xavi, o magnífico futebolista do Barcelona e da selecção espanhola afirmou que o seu companheiro de clube, o argentino Lionel Messi não é comparável a Cristiano Ronaldo, porque é único, não há outro como ele. Com o máximo respeito pela opinião de Xavi, eu afirmo que CR7 não é comparável a Messi, porque é único, não há outro como ele. Se o espanhol me pode brindar como sendo possuidor de excesso de nacionalismo, eu poderei acusá-lo de clubismo exagerado.
É evidente que a identificação com uma nação ou com um clube podem influenciar, e certamente influenciam, a nossa opinião. Todavia, eu procuro assentá-la noutros parâmetros. Ambos são, indiscutivelmente, dois excelentes futebolistas. Com características diferentes. Messi faz autênticas maravilhas, ou, se preferir, autênticas diabruras, com a bola nos pés. É, no Barcelona, o seu principal goleador, mas parece-me que só numa equipa com os craques que o clube tem e a jogar da forma que joga é que o argentino atinge o grau de excelência que tem atingido. Messi, numa equipa sem os excelentes companheiros que tem e com outro sistema de jogo, ficaria muito longe do expoente que aqui consegue, talvez nunca conseguisse ser “bota de ouro”. A sua própria baixa estatura lhe é favorável para o futebol que pratica.
Cristiano Ronaldo, não com a magia de Messi, mas ainda com a suficiente “para dar e vender”, ao contrário do que penso sobre Messi, será sempre um excelente jogador em qualquer equipa e em qualquer tipo de futebol. Obviamente, tanto melhor, quanto melhor for a equipa em que esteja integrado. CR7, para além dos seus dribles, é um dos mais rápidos futebolistas com bola nos pés. Remata com muita espontaneidade e com muita força com ambos os pés. Joga excelentemente de cabeça. Marca livres directos, sobretudo a distâncias de 30, 40 metros que são o terror de qualquer guarda-redes. É o tipo de futebolista que se encaixa com êxito em qualquer equipa. Se Cristiano Ronaldo não tem tido o êxito na selecção que todos desejaríamos, é porque o tempo de treino para os atletas se adaptarem uns aos outros é sempre curto. Não é aí, também, que Messi ganha ao nosso craque.
São, de facto, dois excelentes futebolistas, mas eu prefiro CR7 a Lionel Messi.
É evidente que a identificação com uma nação ou com um clube podem influenciar, e certamente influenciam, a nossa opinião. Todavia, eu procuro assentá-la noutros parâmetros. Ambos são, indiscutivelmente, dois excelentes futebolistas. Com características diferentes. Messi faz autênticas maravilhas, ou, se preferir, autênticas diabruras, com a bola nos pés. É, no Barcelona, o seu principal goleador, mas parece-me que só numa equipa com os craques que o clube tem e a jogar da forma que joga é que o argentino atinge o grau de excelência que tem atingido. Messi, numa equipa sem os excelentes companheiros que tem e com outro sistema de jogo, ficaria muito longe do expoente que aqui consegue, talvez nunca conseguisse ser “bota de ouro”. A sua própria baixa estatura lhe é favorável para o futebol que pratica.
Cristiano Ronaldo, não com a magia de Messi, mas ainda com a suficiente “para dar e vender”, ao contrário do que penso sobre Messi, será sempre um excelente jogador em qualquer equipa e em qualquer tipo de futebol. Obviamente, tanto melhor, quanto melhor for a equipa em que esteja integrado. CR7, para além dos seus dribles, é um dos mais rápidos futebolistas com bola nos pés. Remata com muita espontaneidade e com muita força com ambos os pés. Joga excelentemente de cabeça. Marca livres directos, sobretudo a distâncias de 30, 40 metros que são o terror de qualquer guarda-redes. É o tipo de futebolista que se encaixa com êxito em qualquer equipa. Se Cristiano Ronaldo não tem tido o êxito na selecção que todos desejaríamos, é porque o tempo de treino para os atletas se adaptarem uns aos outros é sempre curto. Não é aí, também, que Messi ganha ao nosso craque.
São, de facto, dois excelentes futebolistas, mas eu prefiro CR7 a Lionel Messi.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Desabafos
Sempre fui e espero continuar a ser contra a discriminação sexual. Os lugares devem ser ocupados por homens ou mulheres, não pelo seu género, mas pelas competências que exibam. Os salários também só devem ser distintos, de acordo com as funções e nunca pelo facto de serem homens ou mulheres. Os lugares devem ser ocupados por quem manifestar competência para isso, sem curar de saber se é homem ou mulher. Sem quotas. O estabelecimento de quotas para mulheres é um retrocesso. Num país em que a democracia funcione, onde não exista qualquer espécie de discriminação, onde funcione plenamente a igualdade de direitos e deveres, não são necessárias quotas. Não concordo, pois, que a União Europeia queira obrigar as empresas a terem quotas para mulheres nos Conselhos de Administração. É um atentado à liberdade e não prestigia, não dignifica as mulheres. Corre-se o risco de se dizer ou pensar que algumas mulheres só ocupam determinadas funções, porque a lei a isso obriga.
Sem quotas, sem qualquer legislação que obrigasse ou impedisse, há um quarto de século, enquanto comandante de um corpo de bombeiros, fui dos primeiros a recrutar mulheres. É com atitudes como essa que se promove a mulher.
Bom, de acordo com a minha filosofia, também não sou fã do dia internacional da mulher, que em 8 de Março se comemora. Todavia, tal comemoração, como outras, não traz nenhum mal ao mundo. Parece-me até que se irá comemorar o primeiro dia internacional do homem em 20 de Abril. Enfim, há dias e gostos para tudo.
A mulher-mãe, a mulher-mulher, a mulher-filha, a mulher-neta, a mulher-avó, a mulher expoente mais alto de beleza que o Criador colocou na Terra, eu homenageio todos os dias.
Então, em homenagem à mulher, não pelo dia internacional, mas por todos os seus dias, deixo aqui o relato de uma visão, de alguns anos a esta parte – não muitos – que me extasiou.
Estava de visita a uma pequena aldeia, onde corria um riozinho de águas cristalinas que sussurravam por entre rochedos. Ouviam-se pássaros e chocalhos de cabras. Naquela natureza que me envolvia, tudo parecia virgem. Naquele cenário que me extasiava, de repente, deparo-me com uma mulher de sonho: uma jovem conduzindo um burrico, carregado de farinha. Uma cinta bem marcada pelas fitas de um avental; uns seios altaneiros, bem levantados, que se adivinhavam duros, certamente protegidos por espartilho dos antigos, que os não deixam (aos ditos seios) a dar a dar, como agora acontece àquelas que não querem ou não têm dinheiro para silicone, fazendo-me lembrar o pudim flan; umas faces lisas, cuja maquilhagem era o pó da farinha milha; uns lábios grossos, da cor da romã, sem um sulco; uns olhos cor de avelã, protegidos por longos cílios; um cabelo ondulado, negro como o carvão, salpicado aqui e ali de farinha, solto, livre, sobre as costas; umas pernas tipo feitas ao torno; umas ancas reboliças. A garota era uma flor ambulante, era um monumento erigido à beleza. Por instantes fiquei apático; noutro instante cometi adultério em pensamento. Imaginei como poderia aplicar naquele pedaço de céu a minha ternura dos sessenta (há quanto tempo lá foi a dos quarenta!) e essa ternura ser compensada pela doçura dos dezoito.
Por alguns momentos, na minha mente cruzaram-se e entrecruzaram-se imagens e mais imagens e, feito anjo, arrependi-me do pecado, pedi perdão, em pensamento, à minha mulher que nem sonhava o que se passava, e fui-me. Fui-me, mas a pensar nestas belezas campestres, já tão raras, mas que ainda vamos encontrando pelos caminhos e veredas das nossas aldeias mais recônditas, que, ao contrário de muitas sofisticadas citadinas, acordam, de manhã cedo com a mesma cara linda com que se deitaram e que nos fazem cometer estes pecadilhos.
Diziam os latinos que não se deseja aquilo que não se conhece. Ao conhecermos estas autênticas divindades, estes hinos à beleza, ficamos abrasados de desejos.
Deus foi muito generoso criando esses seres tão perfeitos: as mulheres.
Sonhe, sonhe, meu amigo, porque só sonha quem vive. E se sonhar com belas moleirinhas, não se incomode, que Deus é tão misericordioso como omnipotente e por isso perdoa e a sua cara-metade só o saberá se você lhe disser. Convença-se sem nenhuma espécie de frustração, que se não morrer jovem, chegará, você também, a uma altura da vida em que há coisas que só mesmo a sonhar podem acontecer. Pelo menos que sejam bons sonhos e não pesadelos.
Sem quotas, sem qualquer legislação que obrigasse ou impedisse, há um quarto de século, enquanto comandante de um corpo de bombeiros, fui dos primeiros a recrutar mulheres. É com atitudes como essa que se promove a mulher.
Bom, de acordo com a minha filosofia, também não sou fã do dia internacional da mulher, que em 8 de Março se comemora. Todavia, tal comemoração, como outras, não traz nenhum mal ao mundo. Parece-me até que se irá comemorar o primeiro dia internacional do homem em 20 de Abril. Enfim, há dias e gostos para tudo.
A mulher-mãe, a mulher-mulher, a mulher-filha, a mulher-neta, a mulher-avó, a mulher expoente mais alto de beleza que o Criador colocou na Terra, eu homenageio todos os dias.
Então, em homenagem à mulher, não pelo dia internacional, mas por todos os seus dias, deixo aqui o relato de uma visão, de alguns anos a esta parte – não muitos – que me extasiou.
Estava de visita a uma pequena aldeia, onde corria um riozinho de águas cristalinas que sussurravam por entre rochedos. Ouviam-se pássaros e chocalhos de cabras. Naquela natureza que me envolvia, tudo parecia virgem. Naquele cenário que me extasiava, de repente, deparo-me com uma mulher de sonho: uma jovem conduzindo um burrico, carregado de farinha. Uma cinta bem marcada pelas fitas de um avental; uns seios altaneiros, bem levantados, que se adivinhavam duros, certamente protegidos por espartilho dos antigos, que os não deixam (aos ditos seios) a dar a dar, como agora acontece àquelas que não querem ou não têm dinheiro para silicone, fazendo-me lembrar o pudim flan; umas faces lisas, cuja maquilhagem era o pó da farinha milha; uns lábios grossos, da cor da romã, sem um sulco; uns olhos cor de avelã, protegidos por longos cílios; um cabelo ondulado, negro como o carvão, salpicado aqui e ali de farinha, solto, livre, sobre as costas; umas pernas tipo feitas ao torno; umas ancas reboliças. A garota era uma flor ambulante, era um monumento erigido à beleza. Por instantes fiquei apático; noutro instante cometi adultério em pensamento. Imaginei como poderia aplicar naquele pedaço de céu a minha ternura dos sessenta (há quanto tempo lá foi a dos quarenta!) e essa ternura ser compensada pela doçura dos dezoito.
Por alguns momentos, na minha mente cruzaram-se e entrecruzaram-se imagens e mais imagens e, feito anjo, arrependi-me do pecado, pedi perdão, em pensamento, à minha mulher que nem sonhava o que se passava, e fui-me. Fui-me, mas a pensar nestas belezas campestres, já tão raras, mas que ainda vamos encontrando pelos caminhos e veredas das nossas aldeias mais recônditas, que, ao contrário de muitas sofisticadas citadinas, acordam, de manhã cedo com a mesma cara linda com que se deitaram e que nos fazem cometer estes pecadilhos.
Diziam os latinos que não se deseja aquilo que não se conhece. Ao conhecermos estas autênticas divindades, estes hinos à beleza, ficamos abrasados de desejos.
Deus foi muito generoso criando esses seres tão perfeitos: as mulheres.
Sonhe, sonhe, meu amigo, porque só sonha quem vive. E se sonhar com belas moleirinhas, não se incomode, que Deus é tão misericordioso como omnipotente e por isso perdoa e a sua cara-metade só o saberá se você lhe disser. Convença-se sem nenhuma espécie de frustração, que se não morrer jovem, chegará, você também, a uma altura da vida em que há coisas que só mesmo a sonhar podem acontecer. Pelo menos que sejam bons sonhos e não pesadelos.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Desabafos
Perder a credibilidade não é, seguramente, pretender renegociar as condições de um empréstimo. Isso, fazem as empresas e as famílias sérias que têm vontade de cumprir os seus compromissos. Renegociar com a troika não significa perder a credibilidade, mas tão só evitar “triturar” os portugueses, assim do pé para a mão. Perde a credibilidade o governo que assina protocolos para pagar as dívidas a fornecedores - veja-se o caso da Roche – e não cumpre. Renegociará agora. Menos bonito do que se tivesse renegociado antes que lhe fosse cortado o crédito.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Desabafos
Se reflicto sobre os problemas do mundo, sobretudo os que têm a ver com o nosso país, que influencia e é influenciado pelo que se passa nos outros, significa que penso politicamente. Se assim é, quer dizer que o que digo e o que escrevo tem, quase sempre, uma forte matriz política. Ao contrário daqueles que, pretendendo ter um lugar de maior ou menor preponderância política, ficam prisioneiros da doutrina de um qualquer partido ou das ideias daqueles que, tendo lugares de destaque no tal partido, lhes podem servir de “muleta”, eu digo sempre o que penso, sem curar de saber se isso corresponde ao pensamento do partido A, B ou C. Aos chamados políticos, falta-lhes a liberdade de dizer o que pensam, obrigando-se a exprimir apenas o que interessa em determinado momento, mesmo que seja exactamente o inverso do que terão dito noutra altura.
Por isso vou fazendo as minhas análises, sobre diversas matérias, mesmo aquelas que não domino muito bem, sem receio de as expor publicamente, não por leviandade, por ligeireza, mas porque sou um pensador e porque todos os pensamentos são legítimos, ainda que absolutamente contrários ao pensamento dominante. Aliás, estou certo que é a diversidade de pensamentos que faz evoluir o conhecimento.
Posto isto, aqui estou eu, uma vez mais, a dizer de minha justiça, que é como quem diz, a expor os meus pensamentos, a fazer os meus desabafos.
Ah! Por falar em justiça, ela andou muito na berra estes últimos dias por causa de dois casos mediáticos, num deles com a população a querer fazer justiça na rua, o que é sempre de lamentar, por mais que nos pareça que ela não terá sido feita no lugar próprio, ou seja, nos tribunais.
Tendo ainda a ver com justiça, mas não só, não gostei de ver uma pequena peça no jornal diário que habitualmente compro, referente a sete militares que estão a ser julgados por burla com facturas falsas, que mencionava o nome de um militar, provavelmente de baixa patente, presumo, ocultando o nome dos outros, nomeadamente um major-general e dois coronéis. Por quê não os esconder todos ou mencionar todos? Parece-me que – deixe-me dizer assim, já que estamos a falar de justiça – seria mais justo. Acho que é oportuno citar esta frase muito assertiva, cujo autor desconheço: “Se estiveres à procura de algo que seja justo, lembra-te que apenas o soutien realiza esse objectivo: oprime os grandes, protege os pequenos e levanta os caídos”.
Estamos no início da época quaresmal. É altura de os católicos mais cumpridores ou, se preferir, mais tradicionalistas ou conservadores, se devotarem aos períodos de jejum e abstinência. Bom, cá em Portugal, pelo rumo que as coisas levam, já a maioria dos portugueses sejam eles ateus, agnósticos ou professantes seja lá de que religião for, estão condenados ao jejum e abstinência permanentes.
Não somos seguramente um povo de invertebrados, mas seremos, certamente, de líderes políticos invertebrados. Expõem de tal forma a sua pequenez que qualquer referência a Portugal, do sr. Obama ou líder europeu serve para que fiquem tão felizes como a criança a quem deram o brinquedo desejado, tão felizes como um “gato com um chocalho”, esquecendo-se que a maioria das vezes essas palavras nem têm praticamente significado nenhum ou significam exactamente o mesmo que as palmadinhas que os nossos falsos amigos nos dão nas costas. São, de facto, homúnculos.
Por isso vou fazendo as minhas análises, sobre diversas matérias, mesmo aquelas que não domino muito bem, sem receio de as expor publicamente, não por leviandade, por ligeireza, mas porque sou um pensador e porque todos os pensamentos são legítimos, ainda que absolutamente contrários ao pensamento dominante. Aliás, estou certo que é a diversidade de pensamentos que faz evoluir o conhecimento.
Posto isto, aqui estou eu, uma vez mais, a dizer de minha justiça, que é como quem diz, a expor os meus pensamentos, a fazer os meus desabafos.
Ah! Por falar em justiça, ela andou muito na berra estes últimos dias por causa de dois casos mediáticos, num deles com a população a querer fazer justiça na rua, o que é sempre de lamentar, por mais que nos pareça que ela não terá sido feita no lugar próprio, ou seja, nos tribunais.
Tendo ainda a ver com justiça, mas não só, não gostei de ver uma pequena peça no jornal diário que habitualmente compro, referente a sete militares que estão a ser julgados por burla com facturas falsas, que mencionava o nome de um militar, provavelmente de baixa patente, presumo, ocultando o nome dos outros, nomeadamente um major-general e dois coronéis. Por quê não os esconder todos ou mencionar todos? Parece-me que – deixe-me dizer assim, já que estamos a falar de justiça – seria mais justo. Acho que é oportuno citar esta frase muito assertiva, cujo autor desconheço: “Se estiveres à procura de algo que seja justo, lembra-te que apenas o soutien realiza esse objectivo: oprime os grandes, protege os pequenos e levanta os caídos”.
Estamos no início da época quaresmal. É altura de os católicos mais cumpridores ou, se preferir, mais tradicionalistas ou conservadores, se devotarem aos períodos de jejum e abstinência. Bom, cá em Portugal, pelo rumo que as coisas levam, já a maioria dos portugueses sejam eles ateus, agnósticos ou professantes seja lá de que religião for, estão condenados ao jejum e abstinência permanentes.
Não somos seguramente um povo de invertebrados, mas seremos, certamente, de líderes políticos invertebrados. Expõem de tal forma a sua pequenez que qualquer referência a Portugal, do sr. Obama ou líder europeu serve para que fiquem tão felizes como a criança a quem deram o brinquedo desejado, tão felizes como um “gato com um chocalho”, esquecendo-se que a maioria das vezes essas palavras nem têm praticamente significado nenhum ou significam exactamente o mesmo que as palmadinhas que os nossos falsos amigos nos dão nas costas. São, de facto, homúnculos.
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Desabafos
É bem possível que a mais que badalada crise afecte não só os bolsos dos do costume, mas afecte também as mentes e o comportamento das nossas mais elevadas entidades. Digo isto porque se tem assistido a ditos, actos e gestos que não são muito abonatórios dos seus autores, que, pelas funções que desempenham, bem se justificava outro comportamento. Não sei se é qualquer espécie de nervosismo provocado pelo Entrudo que foi para quase todos, menos os da administração pública – os tais que Passos Coelho acha que têm privilégios especiais e por isso vá de sugá-los até ao tutano - ou se é fruto de um Q.I. abaixo da média.
Foi a pieguice do Presidente da República a lamentar-se que a sua “mísera” reforma não lhe dava para pagar as despesas. Piegas, mas cheio de sorte, porque não faltaram por aí subscrições para o ajudarem. Essa sorte não tenho eu nem você, piegas também, porque o primeiro-ministro no-lo chamou, mas ao invés de nos darem qualquer coisinha, roubam-nos aquilo que legitimamente tínhamos adquirido.
Sem me preocupar com qualquer ordem cronológica dos acontecimentos, vem-me à mente a desistência, em cima da hora, de o Presidente da República visitar a Escola António Arroio. É óbvio que Cavaco Silva não foi vítima de nenhuma diarreia intestinal repentina – mental tem com alguma frequência – nem qualquer outro imprevisto. Ele recuou, porque é um caguinchas, só encara uma manifestação hostil, se lhe aparecer de modo a que não tenha tempo de “ meter o rabo entre as pernas”. E diz-se o provedor do povo. Grande provedor, sim senhor! Ah! Marcelo Rebelo de Sousa não deseja um Presidente da República fragilizado. Concordo, mas que tem feito Cavaco Silva para que isso não aconteça?! Pouco. Está farto de “dar tiros nos pés”.
“Nascer em Portugal” foi o tema do último roteiro patrocinado pelo Chefe de Estado. Os velhos não têm filhos. Não podem e se pudessem, para miséria já basta a sua. Filhos, deveriam tê-los os jovens, mas como, se eles não têm condições de sobrevivência, quanto mais para criar filhos?! Além disso, o Governo quer fazer aos jovens o mesmo que aos pastéis de nata: exportá-los. Só velhos cá e jovens lá fora, quem é que vai parir em Portugal? Antes de se incentivar a nascer neste torrão à beira-mar plantado, é necessário criar condições para nele se poder viver.
“Não somos a Grécia”, uma expressão muito pouco solidária, que Passos Coelho não se cansa de repetir, para justificar aquilo que ele julga ser o sucesso das medidas que vem tomando e que a mim me parece que nos conduzirão a um ponto que um dia destes talvez se oiça por aí num outro país europeu “Não somos Portugal”.
Quem também não quis ficar atrás de alguns de seus colegas de governação, nas patacoadas, foi o Ministro da Defesa, Aguiar Branco. Além da imbecilidade como se referiu aos militares, será que ele entende que toda a gente tem possibilidade de estar na profissão da sua vocação ou está na que se proporciona, quando proporciona, o que na actualidade é uma sorte? Ele próprio se deveria questionar se tem vocação para ser ministro. Se for intelectualmente honesto talvez viesse a reconhecer que está no lugar errado.
Como por cá se diz: valha-nos Deus.
Foi a pieguice do Presidente da República a lamentar-se que a sua “mísera” reforma não lhe dava para pagar as despesas. Piegas, mas cheio de sorte, porque não faltaram por aí subscrições para o ajudarem. Essa sorte não tenho eu nem você, piegas também, porque o primeiro-ministro no-lo chamou, mas ao invés de nos darem qualquer coisinha, roubam-nos aquilo que legitimamente tínhamos adquirido.
Sem me preocupar com qualquer ordem cronológica dos acontecimentos, vem-me à mente a desistência, em cima da hora, de o Presidente da República visitar a Escola António Arroio. É óbvio que Cavaco Silva não foi vítima de nenhuma diarreia intestinal repentina – mental tem com alguma frequência – nem qualquer outro imprevisto. Ele recuou, porque é um caguinchas, só encara uma manifestação hostil, se lhe aparecer de modo a que não tenha tempo de “ meter o rabo entre as pernas”. E diz-se o provedor do povo. Grande provedor, sim senhor! Ah! Marcelo Rebelo de Sousa não deseja um Presidente da República fragilizado. Concordo, mas que tem feito Cavaco Silva para que isso não aconteça?! Pouco. Está farto de “dar tiros nos pés”.
“Nascer em Portugal” foi o tema do último roteiro patrocinado pelo Chefe de Estado. Os velhos não têm filhos. Não podem e se pudessem, para miséria já basta a sua. Filhos, deveriam tê-los os jovens, mas como, se eles não têm condições de sobrevivência, quanto mais para criar filhos?! Além disso, o Governo quer fazer aos jovens o mesmo que aos pastéis de nata: exportá-los. Só velhos cá e jovens lá fora, quem é que vai parir em Portugal? Antes de se incentivar a nascer neste torrão à beira-mar plantado, é necessário criar condições para nele se poder viver.
“Não somos a Grécia”, uma expressão muito pouco solidária, que Passos Coelho não se cansa de repetir, para justificar aquilo que ele julga ser o sucesso das medidas que vem tomando e que a mim me parece que nos conduzirão a um ponto que um dia destes talvez se oiça por aí num outro país europeu “Não somos Portugal”.
Quem também não quis ficar atrás de alguns de seus colegas de governação, nas patacoadas, foi o Ministro da Defesa, Aguiar Branco. Além da imbecilidade como se referiu aos militares, será que ele entende que toda a gente tem possibilidade de estar na profissão da sua vocação ou está na que se proporciona, quando proporciona, o que na actualidade é uma sorte? Ele próprio se deveria questionar se tem vocação para ser ministro. Se for intelectualmente honesto talvez viesse a reconhecer que está no lugar errado.
Como por cá se diz: valha-nos Deus.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Desabafos
Enquanto tiver forças e dispuser de meios, como por ora acontece, não deixarei de defender publicamente as minhas convicções, de aplaudir o que julgar merecedor de aplauso, de reprovar o que julgar merecedor de reprovação, de lutar ao lado dos explorados contra os exploradores. Faço-o na certeza de que não farei nada de extraordinário, mas tão-somente estarei a cumprir o meu dever de cidadão. Não cumpre o seu dever quem se limita a comer, dormir, trabalhar, ainda que seja exemplarmente, deixando as tarefas de lutar por valores, por direitos e deveres, contra a injustiça e a discriminação, para outros, como se nada disso fosse com eles. Mas que também ninguém se conforme que apenas “cumprir o dever” já é motivo suficiente para homenagem. Não, não é. Simplesmente, tão pouca gente cumpre, que o simples facto de alguns o fazerem já parece uma coisa extraordinária. Não é. Deveria ser o normal.
Bom, voltemos à política indígena.
Em boa verdade não posso afirmar que Passos Coelho me desiludiu, porque nunca tive quaisquer ilusões quanto ao seu desempenho como primeiro-ministro. Desiludir, de facto, não desiludiu, mas não esperava que ele se revelasse com tantos tiques ditatoriais, que ele, falando tanto em credibilidade, tivesse por ela tão pouco respeito, ao ponto de já poucos se admirarem que ele amanhã diga exactamente o contrário do que disse hoje. E a arrogância com que ele e os da sua “seita” afirmam coisas do género “vamos dialogar, mas não há alternativa à nossa política”! Como eles são convencidos!
Não sei o que move Passos Coelho contra os funcionários públicos. Se pensar melhor até talvez saiba. Ele quer, a todo o custo, resolver o problema do deficit e da dívida pública. Como não tem arcabouço para resolver o problema de outra forma, como qualquer ditadorzinho, socorre-se do que é extremamente fácil: “assaltar, roubando-os”, aqueles que dependem, em termos salariais, dos dinheiros públicos, isto é os funcionários públicos e os pensionistas – não os de pensões douradas. Qualquer leigo sabe que sugando, e se for preciso suga mais, os trabalhadores do Estado (não todos, apenas os mais frágeis) e os pensionistas, resolve esses problemas. Acredito até que esse problema se resolverá, mas será, aumentando o desemprego, a miséria, tornando Portugal num país terceiro-mundista, a solução? Não haverá, de facto, alternativa a esta política assassina?!
Bom, mas o meu raciocínio ia no sentido de tentar adivinhar o que moveria Passos contra os funcionários públicos. Como ele, sem que lhes sejam conhecidos méritos para tanto, desempenhou, à custa de “padrinhos”, diz-se, lugares de algum relevo em empresas privadas, não sabe o que é a função pública. Trabalhar, não sei se trabalhou. Ao tempo de deputado, não lhe concedo esse estatuto. Os verdadeiros funcionários públicos trabalham mais, muito mais tempo, para menores reformas e nenhuns privilégios.
Dar ou não dar ponte no Carnaval, pessoalmente, não me afecta. Primeiro, porque nunca fui grande fã de tais festejos, segundo porque estando reformado, mais feriado ou menos feriado não me afecta. Mas o que importa é o que acontece à maioria dos portugueses e não a um. Cavaco Silva atreveu-se uma vez a não dar ponte e não repetiu. Nem esse exemplo serviu para Coelho aprender a lição. Bem pode pôr as máscaras que quiser, mas a sua verdadeira cara é de alguém que não tem respeito pelos portugueses nem pelas suas tradições, que vai ajudar a arruinar a economia das regiões, que está a atirar para a miséria milhares e milhares de cidadãos, seus compatriotas.
Aliás, essa história do dia de Carnaval, já de há muito deveria estar instituído, através de legislação, como feriado, porque ele faz parte das mais profundas raízes culturais do nosso povo. E se esse povo espezinhado, em alguns aspectos pior do que no tempo de Oliveira Salazar, precisa de alguma alegria, alguma folia, é agora. Trabalhar, trabalha ele demais nem que seja à procura de emprego ou de arranjar umas côdeas de pão para matar a fome.
Acredito que a maioria dos empresários dêem folga aos seus trabalhadores. Uma vez mais, os funcionários públicos – aqueles que o governo diz que têm mais regalias do que os privados – serão descriminados.
Bom, voltemos à política indígena.
Em boa verdade não posso afirmar que Passos Coelho me desiludiu, porque nunca tive quaisquer ilusões quanto ao seu desempenho como primeiro-ministro. Desiludir, de facto, não desiludiu, mas não esperava que ele se revelasse com tantos tiques ditatoriais, que ele, falando tanto em credibilidade, tivesse por ela tão pouco respeito, ao ponto de já poucos se admirarem que ele amanhã diga exactamente o contrário do que disse hoje. E a arrogância com que ele e os da sua “seita” afirmam coisas do género “vamos dialogar, mas não há alternativa à nossa política”! Como eles são convencidos!
Não sei o que move Passos Coelho contra os funcionários públicos. Se pensar melhor até talvez saiba. Ele quer, a todo o custo, resolver o problema do deficit e da dívida pública. Como não tem arcabouço para resolver o problema de outra forma, como qualquer ditadorzinho, socorre-se do que é extremamente fácil: “assaltar, roubando-os”, aqueles que dependem, em termos salariais, dos dinheiros públicos, isto é os funcionários públicos e os pensionistas – não os de pensões douradas. Qualquer leigo sabe que sugando, e se for preciso suga mais, os trabalhadores do Estado (não todos, apenas os mais frágeis) e os pensionistas, resolve esses problemas. Acredito até que esse problema se resolverá, mas será, aumentando o desemprego, a miséria, tornando Portugal num país terceiro-mundista, a solução? Não haverá, de facto, alternativa a esta política assassina?!
Bom, mas o meu raciocínio ia no sentido de tentar adivinhar o que moveria Passos contra os funcionários públicos. Como ele, sem que lhes sejam conhecidos méritos para tanto, desempenhou, à custa de “padrinhos”, diz-se, lugares de algum relevo em empresas privadas, não sabe o que é a função pública. Trabalhar, não sei se trabalhou. Ao tempo de deputado, não lhe concedo esse estatuto. Os verdadeiros funcionários públicos trabalham mais, muito mais tempo, para menores reformas e nenhuns privilégios.
Dar ou não dar ponte no Carnaval, pessoalmente, não me afecta. Primeiro, porque nunca fui grande fã de tais festejos, segundo porque estando reformado, mais feriado ou menos feriado não me afecta. Mas o que importa é o que acontece à maioria dos portugueses e não a um. Cavaco Silva atreveu-se uma vez a não dar ponte e não repetiu. Nem esse exemplo serviu para Coelho aprender a lição. Bem pode pôr as máscaras que quiser, mas a sua verdadeira cara é de alguém que não tem respeito pelos portugueses nem pelas suas tradições, que vai ajudar a arruinar a economia das regiões, que está a atirar para a miséria milhares e milhares de cidadãos, seus compatriotas.
Aliás, essa história do dia de Carnaval, já de há muito deveria estar instituído, através de legislação, como feriado, porque ele faz parte das mais profundas raízes culturais do nosso povo. E se esse povo espezinhado, em alguns aspectos pior do que no tempo de Oliveira Salazar, precisa de alguma alegria, alguma folia, é agora. Trabalhar, trabalha ele demais nem que seja à procura de emprego ou de arranjar umas côdeas de pão para matar a fome.
Acredito que a maioria dos empresários dêem folga aos seus trabalhadores. Uma vez mais, os funcionários públicos – aqueles que o governo diz que têm mais regalias do que os privados – serão descriminados.
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